SETEMBRO AMARELO: VAMOS NOS CONSCIENTIZAR

SETEMBRO AMARELO: VAMOS NOS CONSCIENTIZAR

Leila Dillmann
Leila Dillmann

A campanha é em setembro, mas falar sobre prevenção do suicídio em todos os meses do ano é fundamental!

No Brasil, o setembro amarelo foi criado em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, datado em 10 de setembro.

O setembro amarelo é o mês (de 1 a 30 de setembro) dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha que visa conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento.

As razões podem ser bem diferentes, porém muito mais gente do que se imagina já pensou em suicídio. Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Em muitos casos, é possível evitar que esses pensamentos suicidas se tornem realidade.

Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, o que significa que o suicídio mata mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer. As situações que levam a esse fim podem surgir de quadros de depressão, bem como do consumo de drogas. O suicídio é o resultado de uma convergência de fatores de risco genéticos, psicológicos, sociais e/ou culturais, às vezes combinados com experiências de traumas e perdas.

MAS, E QUAL É A ORIGEM DO SETEMBRO AMARELO

O setembro amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Ford Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como "Mustang Mike". Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem "Se você precisar, peça ajuda." A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar essa campanha.

UM ALERTA MUNDIAL

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em junho deste ano dados sobre suicídio e pediu esforço dos países para diminuir a taxa até 2030.

No Brasil, são aproximadamente 13 mil pessoas por ano. A maioria dos suicídios estão relacionados a distúrbios mentais, como depressão e transtorno bipolar.

Diante desse cenário, fica clara a necessidade de dar mais atenção ao tema, com campanhas de conscientização e debates que possibilitem a quebra do tabu sobre o problema. Colocá-lo em pauta na sociedade é fator importante para evitar a perda de outras vidas.

FATORES QUE PODEM AUMENTAR O RISCO DE IDEIAS SUICIDAS

A tentativa de suicídio pode acontecer entre pessoas de qualquer faixa etária, gênero ou classe social. Porém, alguns fatores podem ampliar o risco. Um dos primeiros alertas é para pessoas que apresentam transtornos psiquiátricos. Em especial, quando se trata de depressão, transtorno bipolar, ansiedade e esquizofrenia. Casos de abuso de drogas e bebidas alcoólicas também merecem atenção.

Alguns estudos indicam também que há prevalência de tentativas de suicídio acima de 65 anos. Idosos podem sofrer com a solidão, sentimento de incapacidade e falta de perspectiva no futuro, levando a ideias suicidas.

Problemas financeiros também podem ser fatores de risco. Há ainda um certo grau de hereditariedade, que a ciência não conseguiu mensurar até o momento.

Podemos ficar atentos ao isolamento, mudanças marcantes de hábitos, perda de interesse por atividade de que gostava, descuido com aparência, piora do desempenho na escola ou no trabalho, alterações no sono e no apetite, frases como “preferia estar morto” ou “quero desaparecer” podem indicar necessidade de ajuda.

AGIR SALVA VIDAS

A campanha Setembro Amarelo tem objetivo de conscientizar sobre a valorização da vida e reforçar como é essencial conversar sobre o assunto, buscar ajuda e, principalmente, oferecer assistência necessária. O diagnóstico precoce, tratamento correto e acompanhamento profissional adequado dos distúrbios mentais são caminhos que impactam diretamente na redução dessas mortes.

Apesar de ser um problema de saúde pública, ainda não é tratado como tal. Então, é muito importante desenvolvermos canais de comunicação e informação para que as pessoas se sintam apoiadas, percebam que não estão sozinhas e que existem caminhos para lidar com o seu sofrimento.

SE PRECISAR, PEÇA AJUDA

Se você está passando por um momento difícil e percebe que não consegue lidar com suas angústias sozinho, busque ajuda. O apoio profissional pode ser muito importante para superar uma fase difícil ou receber o diagnóstico correto para um tratamento efetivo. Psicólogos e psiquiatras são profissionais que podem ajudar. O psicólogo poderá auxiliar você a lidar com as angústias e desenvolver ferramentas para superá-las. Enquanto o psiquiatra pode indicar o tratamento medicamentoso para combater os sintomas depressivos.

O CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA É GRATUITO

O Centro de Valorização da Vida (CVV) trabalha para oferecer suporte emocional e realizar a prevenção do suicídio. A organização é reconhecida como Utilidade Pública Federal desde a década de 1970. Voluntários ficam à disposição 24 horas para oferecer atendimento pelo telefone 188 ou pelo chat online no site. O atendimento é anônimo e realizado por voluntários que guardam sigilo. Se precisar, não hesite em buscar ajuda.

Além disso, em diversas cidades, há também um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que oferece auxílio em horários comerciais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, devem ser acionados quando ocorrem casos de tentativas de suicídio.

SUICÍDIO E OS EFEITOS COLATERAIS DA PANDEMIA DO COVID

Ao contrário do que se era esperado, a pandemia não influenciou de modo considerável no aumento de casos de suicídio no Brasil. O medo do contágio, o confinamento e as incertezas não levam necessariamente a um maior número de mortes imputadas a si. Os suicídios, inclusive no Brasil, se mantiveram num patamar estável. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, revelam que o número de suicídios no Brasil em 2020 foi de 12.895, com variação de 0,4% em relação a 2019, quando foram registrados 12.745 casos. Porém, a tendência do país é de alta: em 2012, foram 6.905 casos.

“A pessoa numa crise suicida é altamente ambivalente e, em geral, não quer exatamente morrer, mas pôr fim a um sofrimento insuportável”, diz o psiquiatra José Manoel Bertolote. “Ao ser confrontada com uma ameaça concreta de morte, seu instinto de sobrevivência é mobilizado para lutar contra o novo inimigo”, acrescenta.

Se você conhece alguém que pode estar precisando de ajuda é importante saber ouvir sem emitir julgamentos e ser empático sobre os sentimentos do outro. Minimizar os problemas enfrentados pela pessoa, ainda que pareçam desimportantes para você, não é uma boa opção. É preciso respeitar a forma como a pessoa vê a situação. É fundamental incentivar a pessoa a procurar ajuda especializada.

A Iopoint apoia a campanha setembro amarelo. Juntos somos mais fortes! 💛

GP 4.0

Leila Dillmann

Supervisora de Implantação e Suporte e redatora do Blog da IOPOINT